A Dª Filomena que do alto dos seus magníficos 83 anos ( "Faço 84, no dia 27 de Setembro, se Deus lá me deixar chegar!"-respondeu) me disse orgulhosa que tinha terminado o 9º ano.
" - Sabes, eu sempre quis muito estudar e saber mais sobre as coisas e quando soube disto das novas oportunidades inscrevi-me e lá fui estudando!"A maneira como a senhora falava nas coisas era de tal forma eloquente e entusiasmada, que não me atrevi a sair do pé dela e ali permanecemos sentadas lado a lado no banco de madeira que está á porta da sua casa.
Disse-lhe que ela era um exemplo para muitas pessoas da idade dela e até mais novas, porque há pessoas que perdem o interesse pela vida á medida que vão ficando mais velhos, ao que ela me respondeu:
" - Ai não filha, nos nunca podemos esmorecer. O caminho é andar para frente, sempre para a frente. Não nos podemos deixar abater. Olha, eu quando não tenho nada que fazer, invento. Não sabes o que estou fazendo agora? Um terço em renda ( dá uma gargalhada toda contente, e mostra-me o terço) e sem óculos, porque ainda faço tudo sem óculos. Só para o computador é que preciso deles..."
" - Computador ??!! A Dª Filomena sabe trabalhar com um computador?!" Pergunto incrédula
"- Sei, filha. E ando na Internet, faço pesquisas. Tenho um Toshiba!"
Fiquei esmagada. Pedi-lhe dois beijinhos e um abraço e disse-lhe que tinha acabado de ganhar uma fã. Depois começou a contar-me as suas aventuras pelo espaço cibernético e fartámo-nos de rir.
"- Sabes filha, eu adoro fazer rendas e bordados e foi isso a primeira coisa que procurei na internet. Mas tive uma surpresa, pois quando escrevi rendas, apareceram-me as rendas das casas ( e solta uma sonora gargalhada), mas eu não me fiquei voltei a escrever rendas de pano e assim já me deu."
Fiquei verdadeiramente deslumbrada com o percurso de vida desta senhora e perguntei-lhe se me autorizava a tirar uma foto para publicar a história dela no meu blog, para partilhar com as pessoas que o lêem. Ela prontificou-se logo a receber-me na sua casa no dia seguinte e disse-me que podia fotografar o que quisesse. Tirei-lhe a foto, a ela e a alguns dos trabalhos dela, que aqui partilho convosco.

A Dª Filomena é um bom exemplo de que a idade não conta. A vida é uma longa maratona e parar é morrer. O importante é descobrirmos novos desafios, novas conquistas e não há idade limite que impeça as pessoas de fazer o que quer que seja. O importante é sentirmo-nos bem e cultivarmo-nos quer física, quer psicologicamente.
No fim da visita, a Dª Filomena presenteou-me com estes miminhos feitos por ela. Fiquei bastante comovida.

Um grande beijinho para si Dª Filomena, sou a sua maior fã.



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