terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Histórias de um Taxista...

E se de repente vos aparece um taxista com ar de tresloucado, prontinho a transportar-vos para o vosso local de trabalho, isso é.......é....., bem é no mínimo um acto de coragem e ao mesmo tempo de ingenuidade, da minha parte e da parte da minha amiga SV, que tínhamos pedido para chamar um táxi para nos levar de volta para o trabalho, uma vez que nos tínhamos dirigido a uma clínica para fazer uns exames de rotina.




Entrámos no táxi e começa o diálogo, ou melhor o monólogo porque o senhor falava, falava, falava....e nós não lhe respondíamos. Também mesmo que quisemos, o senhor não dava hipótese. Era uma conversa desenfreada, sem pés nem cabeça, nada fazia sentido. Um conjunto de frases soltas, entrelaçadas umas nas outras e ali íamos nós dentro de um táxi com condutor que talvez só precisasse de um desabafar ou de um pouco de atenção.

Consegui fixar algumas dessas frases, era mais ou menos assim:

" As meninas sabem quem mora ali naquela casa cheia de flores? Aquela ali á frente estão a ver?" nós anuímos, mas não vimos nada, mas lá fizemos o jeito." Aquela casa é da filha do José Eduardo dos Santos. Ah pois é, é sim senhor. É o que faz o dinheiro, o dinheiro compra tudo"

Depois de uma pausa breve, mas muito breve, o taxista volta á carga:

" Hoje dei ao meu colega a ganhar '50 érós'. Pois é, '50 érós', foram uns 'estrângêrus' que ele levou para o aeroporto e depois tirou daqui as facturas do livro, não sei o que ele fez com elas, ou para que é que ele as quer... é muito estranho. Ele é um bimbo, um invejoso, mau colega... é é, é mau colega. Mora ali para um "buraco"qualquer um sitio estranho e feio. Eu não, eu moro aqui perto, ali em frente á praia de Carcavelos.

E sou uma pessoa que cumpre os horários da rendição. Ah pois cumpro. Olhe menina, a minha rendição é ás 02h30m da manhã, mas eu ás 02h15m já lá estou para o render, de carro lavado e tudo. Mas ele chega sempre tarde e traz sempre o carro que é uma vergonha. Eu vou ter de falar com o '' patrão, ah pois vou ter de 'falari'. Agora também não sei o que ele andou a fazer aqui por baixo da ignição do Mercedes, que está para aqui uma coisa estranha e diferente."

Felizmente que o trajecto foi curto e rapidamente chegamos ao trabalho, porque eu já não aguentava controlar a vontade que tinha de rir. Assim que saímos do carro, pagamos, agradecemos e desatamos a rir descontroladamente.

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