Chego à praia sozinha, pois este ano decidi que ia a pé para a praia, cerca de 15 minutos o equivalente a 1900 metros. Enquanto espero pela restante familia, coloco-me na posição de lótus, como se estive no yoga, de mente e alma purificada. Dou inicio a um dos exercícios matinais que mais aprecio.
Sentada na areia ainda lisinha, sem pegadas humanas, apenas as marcas das patas das putas das gaivotas que não dormem e gostam tanto da praia como eu, observo a rotina dos veraneantes que me rodeiam.
Um pai com cerca de 70 anos, em excelente forma física, provavelmente
viúvo, muito simpático chega à praia cedo com a sua filha que tem trissomia 21.
É notório que entre eles há uma relação de muita cumplicidade, amor e acima de
tudo dedicação. Fico deliciada a olhar para os dois. Todos os dias tem uma actividade
física diferente para fazer com a filha, para a manter ocupada não só física mas
acima de tudo mentalmente. E como ela interage com ele. É admirável. Um dia
jogam raquetes, no outro jogam á bola, no outro é o arco. A seguir ao exercício
é hora do mergulho, não sem antes ter retocado o protector solar índice de
protecção 50, já que o sol está ao rubro e a menina, que deve ter a minha idade,
é de pele extremamente branca.
Sempre de mão dada, ao meio dia saem da praia.
Sempre de mão dada, ao meio dia saem da praia.
Ali mesmo ao lado está outra família. Uma mãe com os seus 2 filhos e o
avô. Divorciada, com toda certeza, a avaliar pela mágoa do olhar. Presa a um
passado recente, concentra as suas energias a contemplar o mar e a apanhar sol.
A filha com cerca de 11/12 anos, parece-me revoltada com a com a vida ou está na idade do armário que é como quem diz, da parvoice, da indecisão. O rapaz, mais velho 15/16 anos, não está nem aí e
quer mais é curtir a praia. O avô vem como apoio logístico, traz o chapéu de
sol, a cadeira e desdobra-se em cuidados e mimos com os netos.
Há ainda o casal com o bebe que veio pela primeira vez à praia. Todo
artilhado de óculos de sol da chicco, boné de abas, protector xpto, t-shirt e o'
diabo a sete'. Chora porque não gosta de sentir a areia nos pés. Faço rapidamente
um flashback ás memórias que guardo deste tempo e revejo-me por segundos na
pele daquela mãe e penso: “ Dassss, não tenho saudades nenhuma. Agora quero é
paz e sossego!”
Falta falar do nadador salvador. Coitado. Que vida estúpida!! Mesmo
sendo um emprego sazonal, estar 3 meses sentado numa cadeira debaixo de um
toldo, com muito pouco ou nada para fazer além de estear a bandeira, não é pêra
doce. Eu ia morrer de tédio.
Hoje foi brindado com a presença de uma gorda. E até estou a ser simpática, porque ela se cair ao mar não se afoga graças às 2 bóias que tem apensas às mamas. Além de gorda, tem cara de gulosa e não me refiro a doces ....
Estiveram à conversa um bom par de minutos. Mesmo ao longe, consegui ler nas entrelinhas que a moça queria fiesta. Mas tenho para mim que terá de continuar a enviar postais, pois ainda não foi é desta que leva a maquina de fazer doces para casa.
Hoje foi brindado com a presença de uma gorda. E até estou a ser simpática, porque ela se cair ao mar não se afoga graças às 2 bóias que tem apensas às mamas. Além de gorda, tem cara de gulosa e não me refiro a doces ....
Estiveram à conversa um bom par de minutos. Mesmo ao longe, consegui ler nas entrelinhas que a moça queria fiesta. Mas tenho para mim que terá de continuar a enviar postais, pois ainda não foi é desta que leva a maquina de fazer doces para casa.
Falta-me falar da cumplicidade de um casal octagenario com o seu andar
frágil. Caminham à beira mar lado a lado, de mão dada, apoiando-se um no outro como
sempre têm feito ao longo dos seus 50 anos anos de casamento. São da velha
guarda. Aqueles que ainda acreditam que o amor é para toda a vida, até que a
morte os separe.
Chegaram. Está na hora de montar chapéus de sol. Vem aí um dia de muito calor.
Chegaram. Está na hora de montar chapéus de sol. Vem aí um dia de muito calor.









