Ontem deu-me para remexer no baú das memórias que estava fechado a cadeado, há anos e já tinha dado ordens expressas aos neurónios do cérebro para não o voltar a abrir. Mas ontem, devido a um ataque súbito de teimosia afincada, quebraram-se as regras ...
Fui encontrar contactos de colegas de faculdade e pensei: como será que estão todos! E vá ir de ver se encontrava alguém no facebook. Sim, encontrei vários. Alguns casaram, tiveram filhos, outros nem por isso. Todos ( os que encontrei) estão a trabalhar. Fico muito feliz por eles, mas confesso que me deixou um pouco desanimada e a pensar: oh que merda "só" eu é que estou sem trabalho. Eu e mais meio milhão, é certo!!
Entretanto falei com uma colega ( uma das que me dava melhor) não falávamos há anos. Matamos as saudades, falámos de alguns colegas (dos giros, somente ) da turma e de como a licenciatura nos "tirou anos de vida" e dinheiro do bolso aos nossos papás. Se voltasse atrás no tempo não repetiria estes 5 anos mal fadados de faculdade, com toda a certeza ... mas isso são outros quinhentos.
A conversa lá continuou e descambou para a cagança. Quando do outro lado me começam a dizer que tenho isto e aquilo, viajei para ali e para acolá, comprei o carro marca tal ... wou, wou, wou ... nesta parte que meti travão a fundo, desliguei o neurónio que está directamente ligado á parte auricular do cérebro ( isto claro, apenas numa tentativa de não ficar maldisposta e vomitar) e abstrai-me o máximo que pude deste tipo de conversas sem conteúdo.
Como pessoa educada que sou, lá fui respondendo com: hum, hum ... oh sério ... ah sim, claro ... só para não a mandar pastar gado, ou coser meias, ou outra coisa mais feia que não posso dizer aqui. Ao fim de segundos despedi-me educadamente e desliguei.
Cada vez mais as pessoas adoram julgar os outros por aquilo que têm: o cargo que assumem; o titulo académico (e mesmo quando não têm inventam-no); o carro; o telemóvel top de gama; a marca da roupa ... se não preenchem estes requisitos, já não prestam.
Mas que merda de sociedade em que nós vivemos.
2 comentários:
Podes crer. Mas tu já viste, logo na escola ensinam-os a ser competitivos, tentarem sempre serem melhores que os outros. Chegam aos empregos e a sacanagem ainda é pior,fazem-se jantares e convivios, sabes-se lá para quê, quando basta conversar com alguem e concluimos que é nas costas dos outros que vimos a nossas.
Onde é que está a amizade, o amor, etc.? Já vistes que hoje em dia nem temos já vizinhança com quem contar, nem gosto pelo sitio onde moramos, porque no fundo eramos um grupo?
Estamos cada vez mais numa sociedade de consumo, egoismo e individualismo, e se criamos os nossos filhos de outra forma, arriscam-se a serem considerados anormais.
Que merda, se saudades que eu tenho quando o colega do lado copiava e nós não nos importavamos, quando havia porcaria na turma ninguem acusava ninguém e pagavamos todos com um sorriso da cara.
Bolas, que nostalgia
Mas quero acreditar que isto um dia vai mudar.
Carla
É natural que assim seja, tens que entender que não têm mais nada e vivem disso que têm e que nada significa. Não fiques zangada, pensa apenas que são pessoas infelizes, incapazes de falar de coisas que não sejam os seus pseudo-sucessos laborais e sociais.
Ignora ou acarinha dizendo "Lamento muito, e vida mesmo, tipo felicidade, familia, bem estar, (sexo?)".
Beijocas,
O Louco
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