sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pior do que explicar o acto da concepção ás crianças, é explicar o porquê da morte.

A minha princesa pequena faz-me com cada pergunta difícil ...
Durante o trajecto para casa, contou-me que uma menina da escola dela hoje estava triste porque o pai dela também estava, tudo porque lhe morreu o pai (o seu avô), que estava muito doente.
Eu disse-lhe que já tínhamos falado sobre o facto de as pessoas morrerem, que não são eternas e que quando são velhinhos morrem ( ou pelo menos assim deveria ser, o que infelizmente isso por vezes não se verifica).
Resposta dela a chorar:
- Oh mamã, eu não gosto nada desta vida?
- Mas porque é que dizes isso filha?
- Então, andamos aqui tão pouco tempo para depois passarmos o resto da vida enterradas, não é justo!!  e começou a chorar.

Fez-se um silêncio no carro, porque na verdade fiquei sem resposta, ou melhor sem uma resposta adequada para uma criança de 7 anos, mas de uma extrema sensibilidade e sabedoria.

Tentei com alguns eufemismos explicar-lhe de uma forma clara e muito simples a razão porque partirmos ( confesso que também me custa muito aceitar a morte dos outros, a minha nem por isso). Disse-lhe que somos um corpo e uma alma. Que a alma é o amor que sentimos pela família e pelos amigos,e que isso nunca morre vai para o céu e vive sempre. O nosso corpo sim, morre, porque a nossa alma se liberta dele quando ascende ao céu para se juntar a outras pessoas que já lá estão, o nosso corpo fica sem vida, sem razão de existir.
Ela com o seu olhar meigo lá foi respondendo afirmativamente ás minhas explicações, mas confesso que foi uma tortura vê-la sofrer por uma coisa que vai inevitavelmente acontecer ás pessoas que a rodeiam e ao mesmo tempo, explicar-lhe uma coisa que também para mim não faz sentido.

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