sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"Pobres Crianças", foi o tema de hoje no Linha da Frente.

Hoje enquanto jantávamos começa a dar o programa linha da frente.
O tema era sobre as crianças em Portugal que têm muitas necessidades básicas, nomeadamente alimentares.( Aqui para quem quiser espreitar)
 
Conheço de perto esta realidade, uma vez que na escola da minha filha pequena existem muitas crianças que a única refeição que têm é a que comem na escola: o leite que a escola dá e o almoço que têm que comprar, mas que muitos pais nem para a senha têm dinheiro e muitas vezes são as próprias professoras que compram as senhas porque conhecem as dificuldades dessas crianças.
Tive oportunidade de privar com uma dessas crianças em tempos.
Era um menino da sala da minha filhota mais velha, que eu ia buscar aos fins de semana à Santa Casa para passar o dia connosco.
Ninguém consegue imaginar o que estas crianças sofrem. A escola de vida que têm. Os medos com que têm que lidar diariamente. É verdadeiramente assustador. Desolador.
 
Chocou-me ver as mães a chorarem porque não têm como dar comer aos filhos e sentem-se culpadas por isso.
Chocou-me ver uma mãe tão jovem (19 anos) à procura de roupa no lixo para o seu filho de 13 meses e ficar delirante com a roupa que encontrou a qual iria servir na perfeição ao filhote. E mesmo que não servisse, leva-a na mesma pois irá com toda a certeza encontrar alguém que faça falta.
Chocou-me ver ainda outra mãe ( como tantas que há) ver o seu filho ser levado pela segurança social para um lar de acolhimento porque não tinha como o sustentar.
Chocou-me porque sou mãe e porque não gostaria de estar na pele daquelas mães. Porque sei o que custa estar desempregada e sentirmo-nos umas "inúteis", "incapacitadas" e "impotentes".
 
Ninguém está inume a uma situação destas. De um momento para outro a nossa vida pode mudar radicalmente e passa para um cenário dantesco.
 
É muito difícil para mim aceitar que as crianças têm que passar por este tipo de situações. Seja fome, frio ou maus tratos. É inconcebível.
 
Fiquei com vontade de sair da minha casa e ir ajudar. Mais ainda do que já faço.
Sei que não posso mudar o mundo, mas posso minimizar algum sofrimento, ainda que seja uma pequena gota de água no oceano.
Afinal hoje são eles, amanhã podemos ser nós.
 

5 comentários:

Jo disse...

Não vi até ao fim... mas foi sem dúvida uma reportagem tocante! Não imagino o sofrimento daquelas mães...

Dear Daisy disse...

Eu também vi.
Deixou-me calada e pensativa.
Muito pensativa...

O que será de nós???

Beijinho, Ruiva.

Tanita disse...

Ainda nós nos queixamos da nossa vida, deviamos ter vergonha.


(amanha queres tirar umas fotos com as tuas piquenas e ficar na historia? vê no meu blogue o projecto ties, acho que vou)

Analog Girl disse...

Eu acho que já nem consigo ver documentários deste calibre. São verdadeiros murros no estômago. Mas queria ajudar também. Conheces alguma associação, ou mesmo pessoas necessitadas a quem possamos dar algo?

Paula noguerra disse...

Quando se sabe que existe que chegue no mundo para TODOS é inconcebivel que algo deste género aconteça :(
Fico triste!!!!