Os meus pais são sem sombra de dúvida os meus heróis e sempre lutaram para me dar uma excelente educação, amor e muito carinho.
Eles são os meus pilares, o meu braço direito e o esquerdo também.
Por isso tenho obrigatóriamente que falar nos dois.
Assim decidi reeditar dois post's que escrevi ao meu pai quando fez 70 anos e à minha mãe quando fez 68.
Desculpem o post tão longo, mas acreditem que vale a pena ler é num fundo um pouco da minha vida.
PAI

Das histórias que me tens contado ao longo dos anos, as que mais me "incomodam" são o facto de teres tido uma infância atribulada, que passaste muito frio porque não havia dinheiro para comprar roupa, nem sapatos e por isso ias descalço para a escola, o que te fez ficar sem uma unha do pé porque desde um pontapé numa pedra e caput lá se vai a unha ( como também já fui criança sei que não é fácil lidar com a dor e o desamparo); que houve um dia que um cão que te mordeu e te levou de rastos durante um tempo e tu ficaste ferido e com dores; a comida era à conta porque vocês eram muitos e por isso tudo tinha que ser bem planeado e racionalizado; e tantas outras peripécias que me recordas de vez em quando, para frisares que os tempos eram muito dificeis. Mesmo assim e por seres o 'caçula', foste o que recebeu mais miminhos da mamã.
Entretanto cresceste, ficaste um homem e foste para a tropa. Decidiste que querias fazer uma carreira na Polícia. E assim foi durante 9 anos. E como te ficava bem a farda!! Era de fazer parar o trânsito. Eras o Tonecas, e destroçavas os corações das raparigas de Elvas e arredores.
Mas a vida de 'D. Juan' não podia durar para sempre e eis que chega a altura de assentar. Vais viver para Lisboa e fazes uma outra opção de vida. Vais trabalhar para um banco e transformas-te num bancário de sucesso. Onde com o teu empenho, profissionalismo e dedicação sempre foste enaltecido pelos colegas e superiores.
Aos 33 anos finalmente ganhas coragem e casas. 3 anos depois nasci eu, o que colocou sobre ti uma responsabilidade acrescida: a de criar e educar um filho. Posso dizer que te tens saído muito bem, na tarefa de Pai. Tens desempenhado bem o teu papel. Eu como "menina do papá", sou boa rapariga e dentro do género sempre fui atinadinha ... ok, com uns 'vaipes' de vez em quando é certo, mas coisa leve e passageira. Até tirei uma licenciatura e tudo, que era um dos teus maiores sonhos. Dizias sempre: "quero que sejas aquilo que eu nunca consegui ser", portanto Pai, missão cumprida :-) !
Há 10 anos que tens novas funções, as de avô, uma responsabilidade a dobrar uma vez que tens duas lindas e maravilhosas netas para te moerem o juízo.:-) Mas confessa lá tu até gostas, pois gostas?! Adoras as tuas meninas que eu sei. És um avô babado.
Sei que detestas fazer anos e que este dia nada te diz, porque ficas triste e deprimido, mas se pensares no percurso da tua vida, de tudo aquilo que construíste e viveste são mais valias e ensinamentos que podes passar ás tuas netas, tal e qual como fizeste comigo quando era pequena. Por isso contribuiste para eu ser o que sou hoje. Obrigada.
MÃE
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| A cabeça da croma que estava ao lado da mamãe é que dela era desnecessária ... CROMA! |
- À menina que nasceu no Alentejo há 68 anos;
- À rapariga que trabalhou no campo, apanhou azeitona e foi á monda;
- À moça que tirou o curso de corte e costura (literalmente), trabalhou para várias lojas de pronto a vestir e que anos mais tarde tornou-se a minha modista particular;
- À Mulher que teve uma juventude um pouco dura e com muitas restrições;
- À mulher que casou há 40 anos e continua casada com um moço muito fixe, que por acaso é meu pai;
- À mulher que sofreu um grande desgosto, quando no parto soube que as gémeas que transportara durante 9 meses estavam mortas;
- À mulher que após esse desgosto teve a grande alegria de ter tido uma filha FANTÁSTICA : EU ( sim porque eu sou linda!);
- À Mãe que nunca perdeu a paciência em dar-me o comer á boca até aos 9 anos e sempre a contar-me histórias;
- À mãe que ia comigo de autocarro para praia e me comprava um gelado todos os dias;
- À mulher que venceu linfoma de hodgkin, após várias biopsias e 4 anos de quimioterapia e nunca desistiu de lutar por mais dolorosa que fosse a doença;
- À Mulher que é uma super avó, para duas lindas netas que lhe moem a cabeça;
- À Mulher, Mãe e amiga que é o meu braço direito ( sim, porque o esquerdo é o meu pai), que ainda me continua a mimar e é sempre a primeira a chegar quando estou doente.
Por todas estas razões e mais uma infinidade delas, obrigada !