terça-feira, 2 de agosto de 2011

Let's get things clear.

( Hoje escrevo em nome de uma amiga minha que me telefonou numa angústia atroz. Foi contratada por uma empresa muito conhecida, para integrar no departamento administrativo e financeiro e exercer uma função dentro dessa área, mas está a ter algumas surpresas, dissabores com as quais ela não contava. Dizia ela:)

"Não perdi anos na universidade a estudar para ser menina de recados, no way.

Contratam as pessoas para determinada função e depois porque estão numa fase de contenção de custos, delegam nessa pessoa várias funções: administrativa, recepcionista e estafeta. Fantástico.

Não acho qualquer um destes trabalhos de baixo valor, antes pelo contrario, todos os trabalhos têm o seu mérito, simplesmente acho que as pessoas têm de ser honestas e manter a palavra desde o inicio ao fim. Acima de tudo têm que ser coerentes. Não podem, nem devem misturar diversos tipos de trabalho numa função"
 
Imaginem a cena: uma pessoa de manhã sai de casa para ir trabalhar e quando se prepara para se sentar à secretária para o habitual trabalho no departamento administrativo e financeiro ... " Ah não, hoje tens de ir para a recepção porque a menina foi-se embora e tu tens que substitui-la. Ah sim, e depois vais ao banco depositar estes cheques, vais aos CTT enviar estas cartas, vais mandar fazer estas chaves que são aqui da porta do escritório e no regresso vais às finanças e tratas do bla, bla, bla ...! E não te esqueças de encomendar um bolo de aniversário para o colega X que faz anos hoje. " e foi isto literalmente que aconteceu
 
WTF???
 
Fiquei de boca aberta a ouvir este relato. Aconteceu com ela, mas podia ter acontecido comigo.
 
O rídiculo desta cena lamentável, é o facto de  se aproveitarem das pessoas que estão desempregadas e que precisam mesmo muito de ganhar dinheiro. Brinca -se assim com a vida das pessoas. Com angústia de estar a precisar de trabalhar.
 
Pois a minha opinião é muito simples: é importante ganhar dinheiro, ter um trabalho, uma profissão, mas a nossa sanidade mental está acima de tudo isto e não há dinheiro nenhum no mundo que a pague.
 
Eu não sei como seria a minha reacção perante um caso destes, mas com toda a certeza não seria a melhor.
 
Damn it.
 

5 comentários:

Benedita disse...

É o estado da nação! Só chico-espertos-oportunistas!

Isis disse...

Eu já fui confrontada com uma situação semelhante (não tão grave, digamos assim). A 1ª vez fiquei tão estupefacta que fiz o que me mandaram. A 2ª disse que não era essa a minha função e fui falar com a minha chefia. Tive sorte. Se fosse hoje...não sei. É revoltante a situação da tua amiga.

Anónimo disse...

Mais um caso de capitalismo selvagem.

Analog Girl disse...

Bem, eu não estou muito longe dessa tua amiga, mas aqui ainda temos recepcionista e moços de recados (vá lá).
No entanto desde que entrei que a empresa está a passar por uma restruturação, a minha chefe vai-se embora, e eu ando aqui há um mês a apanhar coisas do ar e ainda irei ficar sozinha, a assumir algumas das responsabilidades da minha chefe sem receber mais por isso.
Nada como explorar os recursos humanos, realmente.

Anónimo disse...

Amiga,

Infelizmente isso que descreves é o que se passa em muitos sitios, é a merda de pais de temos, um pais, pequeno, miserável, cheio de contas para "nós" pagarmos e cheio de gente sem moral e valor éticos, e então o que mais acontece é o gosto de humilhar as pessoas, quase que aposto que a pessoa que a manda fazer isso já passou pelo mesmo e agora dá-lhe o gozo de fazer o mesmo.

Já agora, conto-te um caso que me passou pelas mão à uns anos: Numa cadeia de hipermercados muito conhecida, uma funcionária acabada de chegar da licença de maternidade foi colocada no horário nocturno, ao qual a pessoa disse que não podia, pois tinha uma criança pequena e não tinha quem ficasse com ela, e o chefe dela teve o desplante de lhe dizer que o tal hipermercado tinha uma porta que dava para Monsanto.

Pois este sentou o cú no tribunal por difamação, mas há muitos iguais por ai.

Para essa gente "shame on you".

Carla